Investimento e residência na Itália: como funciona o visto para investidores e qual a relação com a cidadania italiana
Gabriela Pimentel
2/16/20264 min ler
O que você vai entender neste artigo?
Por que milhões de brasileiros têm direito potencial à cidadania italiana
O que mudou nas regras recentes e por que muitos passaram a buscar alternativas
Como funciona o visto de investidor italiano (Investor Visa for Italy)
Qual a diferença entre residência por investimento e cidadania italiana
E quais cuidados são essenciais antes de considerar esse caminho
A forte ligação entre Brasil e Itália, e o crescente interesse pela Europa
O Brasil abriga a maior população de descendentes de italianos fora da Itália. Estima-se que entre 25 e 30 milhões de brasileiros tenham ascendência italiana, resultado principalmente das ondas migratórias entre o final do século XIX e início do século XX, quando milhões de italianos emigraram para as Américas.
Grande parte desses imigrantes se estabeleceu nas regiões Sul e Sudeste, especialmente em São Paulo, contribuindo para a formação cultural, econômica e social do país.
Décadas depois, esse vínculo histórico passou a ter uma consequência prática relevante: o interesse crescente pela cidadania italiana, seja pela reconexão com as origens familiares, seja pelas oportunidades de viver e trabalhar legalmente na União Europeia.
Mudanças recentes aumentaram a busca por alternativas legais de residência
Nos últimos anos, o governo italiano implementou mudanças administrativas e estruturais nos processos relacionados à cidadania e imigração, especialmente diante do aumento significativo de solicitações vindas do exterior.
Além disso, fatores como filas consulares prolongadas, aumento da demanda e novas exigências tornaram os processos mais complexos e demorados.
Diante desse cenário, muitos estrangeiros passaram a considerar outros caminhos legais para viver na Itália, incluindo o visto de residência por investimento.
O que é o Investor Visa for Italy e quem pode solicitá-lo
A Itália possui um programa oficial conhecido como Investor Visa for Italy, regulamentado pelo governo italiano e administrado pelo Comitê de Investidores vinculado ao Ministério das Empresas e do Made in Italy.
Esse visto permite que cidadãos não pertencentes à União Europeia obtenham autorização de residência mediante investimento qualificado na economia italiana.
De acordo com as diretrizes oficiais, as opções incluem:
Investimento mínimo de 2 milhões de euros em títulos do governo italiano
Investimento mínimo de 500 mil euros em empresas italianas existentes
Investimento mínimo de 250 mil euros em startups inovadoras registradas oficialmente
Doação mínima de 1 milhão de euros em projetos de interesse público, como cultura, pesquisa ou preservação patrimonial
Após a aprovação, o investidor pode obter uma autorização de residência inicial de dois anos, renovável, desde que o investimento seja mantido.
Esse modelo segue uma lógica semelhante a programas existentes em outros países europeus, embora com requisitos próprios e foco no fortalecimento da economia nacional.
Investimentos imobiliários e a estrutura societária: como isso pode funcionar na prática
Diferentemente de alguns países europeus, como Portugal em determinados períodos, a Itália não concede residência diretamente pela simples aquisição de imóveis.
No entanto, o investimento pode ser estruturado por meio de participação societária em empresas italianas, por exemplo, uma SRL (società a responsabilità limitata), equivalente à sociedade limitada no Brasil.
Nesse modelo, o investidor não adquire apenas um bem, mas passa a deter participação em uma empresa italiana, o que pode enquadrar o investimento nas categorias elegíveis ao visto, desde que todos os requisitos legais sejam atendidos.
Essa estrutura é frequentemente utilizada em projetos empresariais, incluindo empreendimentos imobiliários organizados como sociedades empresariais.
Residência por investimento não é o mesmo que cidadania italiana
Este é um ponto fundamental que gera dúvidas.
O visto de investidor concede:
✔️ Direito de residir legalmente na Itália
✔️ Livre circulação dentro do Espaço Schengen
✔️ Possibilidade de trabalhar e empreender no país
✔️ Acesso a serviços públicos italianos
No entanto, ele não concede automaticamente a cidadania italiana.
A cidadania só pode ser obtida posteriormente, em regra, por meio da chamada naturalização por residência, que exige:
Residência legal contínua por um período mínimo (geralmente 10 anos para cidadãos não europeus);
Cumprimento de requisitos legais adicionais;
Comprovação de integração social e estabilidade jurídica.
Ou seja, o investimento pode abrir o caminho para a residência, e eventualmente para a cidadania, mas não substitui os requisitos legais previstos na legislação italiana.
Por que esse caminho passou a ser considerado por alguns estrangeiros
O visto de investidor pode ser considerado por quem busca:
residir legalmente na Itália de forma estruturada;
diversificar investimentos internacionalmente;
estabelecer presença econômica na Europa;
criar um caminho legítimo de longo prazo que pode levar à naturalização.
Além disso, a Itália oferece um ambiente atrativo, com qualidade de vida elevada, sistema de saúde público e posição estratégica dentro da União Europeia.
Cuidados essenciais antes de considerar esse tipo de investimento
Antes de qualquer decisão, é fundamental compreender que:
nem todo investimento imobiliário é automaticamente elegível ao visto;
a estrutura jurídica precisa atender rigorosamente às normas italianas;
o visto depende de aprovação governamental formal;
cada caso exige análise jurídica individualizada.
Investimentos realizados sem planejamento adequado podem não atender aos requisitos legais necessários para obtenção da residência.
Conclusão: residência por investimento é um caminho legítimo, mas exige planejamento jurídico
O visto de investidor italiano representa uma alternativa legal para cidadãos não europeus que desejam residir na Itália e estabelecer uma presença econômica no país.
Embora não conceda cidadania automaticamente, ele pode ser parte de uma estratégia migratória estruturada e juridicamente válida.
Para descendentes de italianos, no entanto, a cidadania por direito de sangue (iure sanguinis) ainda é, em muitos casos, o caminho mais direto e seguro quando há direito reconhecido.
Cada situação é única e deve ser avaliada com base no histórico familiar, objetivos pessoais e possibilidades jurídicas disponíveis.
Como podemos ajudar?
Nós auxiliamos brasileiros que desejam viver legalmente na Itália por meio da cidadania italiana.
Realizamos uma avaliação individualizada do seu caso, com base técnica e jurídica, para identificar o caminho mais seguro e adequado.
Entre em contato conosco para entender quais opções são juridicamente viáveis para você e sua família.