Cidadania italiana após o Decreto Tajani: uma linha do tempo completa para entender o cenário atual

Gabriela Pimentel

5/4/20264 min ler

woman holding sword statue during daytime
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Nos últimos anos, a cidadania italiana por descendência passou por uma transformação significativa. O que antes era um processo predominantemente administrativo passou a ser um dos temas mais debatidos no sistema jurídico italiano.

A publicação do chamado “Decreto Tajani”, em 2025, marcou um ponto de inflexão. Desde então, decisões judiciais, questionamentos constitucionais e interpretações divergentes vêm moldando um cenário ainda em definição.

Mas, afinal, o que realmente mudou? E em que ponto estamos hoje?

O que você vai entender neste artigo?

Neste conteúdo, você encontrará:

  • Uma linha do tempo completa das mudanças na cidadania italiana desde 2025

  • O que foi alterado pela legislação recente

  • Quais são os principais debates jurídicos em andamento

  • O papel da Corte Constitucional e da Corte de Cassação

  • E o que esperar do cenário da cidadania italiana nos próximos meses

Março de 2025: o início da mudança com o Decreto-Lei nº 36/2025

Em março de 2025, o governo italiano publicou o Decreto-Lei nº 36/2025, que introduziu mudanças relevantes no reconhecimento da cidadania italiana por descendência.

Até então, o princípio do iure sanguinis permitia o reconhecimento da cidadania sem limite de gerações, desde que fosse possível comprovar a linha de descendência com um cidadão italiano.

Com o decreto, esse cenário começou a mudar.

Pela primeira vez, houve uma tentativa clara de limitar o alcance desse direito, especialmente em relação:

  • ao número de gerações reconhecidas

  • e às condições aplicáveis a descendentes nascidos fora da Itália

27 de março de 2025: o marco temporal e o debate sobre retroatividade

Um dos pontos mais sensíveis da nova legislação foi a definição de uma data de corte:

  • 27 de março de 2025

A partir desse marco, passaram a ser aplicadas novas regras para o reconhecimento da cidadania.

Na prática, isso significou que muitos descendentes que ainda não haviam protocolado seus pedidos passaram a ser impactados pelas restrições.

Esse ponto deu origem a um dos debates jurídicos mais relevantes do tema:

👉 Uma lei pode limitar um direito que está ligado ao nascimento?

Essa discussão envolve princípios fundamentais do direito italiano, como:

  • a não retroatividade das leis

  • a proteção da confiança legítima

  • e o conceito de direito adquirido

Maio de 2025: o decreto se torna lei

Em maio de 2025, o Parlamento italiano aprovou o decreto, convertendo-o na Lei nº 74/2025.

Com isso, as restrições passaram a ter caráter definitivo.

O impacto foi imediato.

Milhares de descendentes que, até então, poderiam buscar o reconhecimento da cidadania passaram a não se enquadrar mais nos critérios estabelecidos.

Esse movimento gerou forte reação, especialmente entre comunidades italianas no exterior, como no Brasil e na Argentina.

Segundo semestre de 2025: início das contestações judiciais

Com a entrada em vigor da nova lei, começaram as primeiras contestações judiciais.

Tribunais italianos passaram a analisar casos concretos e levantar questionamentos importantes, como:

  • A possibilidade de aplicação retroativa da lei

  • A eventual violação de direitos adquiridos

  • A criação de desigualdade entre cidadãos em situações semelhantes

Esses questionamentos começaram a estruturar o debate jurídico que vemos hoje.

Final de 2025: os casos chegam à Corte Constitucional

À medida que as decisões divergentes se multiplicavam, alguns tribunais italianos decidiram encaminhar os casos à Corte Constitucional.

Esse movimento levou o debate a outro nível.

A Corte Constitucional não julga casos individuais. Sua função é verificar se uma lei é compatível com a Constituição italiana.

Nesse contexto, surgiu a principal pergunta:

👉 A nova lei respeita os princípios constitucionais do ordenamento italiano?

Início de 2026: os casos de Campobasso ganham destaque

No início de 2026, os casos originados no Tribunal de Campobasso chegaram oficialmente à Corte Constitucional.

Esses processos trouxeram argumentos relevantes, como:

  • A possibilidade de a lei estar retirando um direito atribuído no nascimento

  • A criação de tratamento desigual entre cidadãos

  • E o impacto da perda da cidadania italiana na cidadania europeia

Esses pontos ampliaram significativamente o alcance do debate.

Fevereiro e março de 2026: ampliação do debate com novos tribunais

Outros tribunais italianos, como os de Turim e Mantova, também passaram a questionar a legislação.

Isso fez com que o tema deixasse de ser pontual e passasse a ser tratado como uma questão estrutural do direito italiano.

Cada processo trouxe novos fundamentos jurídicos, ampliando o escopo da análise.

Março de 2026: decisões judiciais relevantes começam a surgir

Nesse período, tribunais como Veneza e Brescia começaram a proferir decisões importantes.

Em alguns casos, a cidadania foi reconhecida com base no entendimento de que o direito existe desde o nascimento.

No entanto, é importante destacar:

  • Nem todas essas decisões enfrentaram diretamente a nova legislação

Isso significa que, embora relevantes, elas não encerram o debate.

Abril de 2026: a Corte de Cassação entra no debate

A Corte de Cassação, que é a mais alta instância da justiça comum italiana, passou a analisar casos relacionados ao tema.

O foco da Cassação é diferente da Corte Constitucional.

Enquanto a Constitucional analisa a validade da lei, a Cassação define como ela deve ser aplicada na prática.

Um dos pontos centrais discutidos foi:

  • A cidadania pode ser perdida após o nascimento?

Esse debate tem impacto direto na interpretação das novas regras.

Maio e junho de 2026: unificação dos casos e expectativa de decisão

Casos importantes, como os de Campobasso e Mantova, foram unificados na Corte Constitucional.

A audiência foi marcada para junho de 2026.

Essa unificação é relevante porque concentra a análise de diferentes argumentos em um único julgamento.

O resultado pode:

  • limitar a aplicação da lei

  • redefinir sua interpretação

  • ou até afetar sua validade

O cenário atual: um sistema em construção

Hoje, o cenário da cidadania italiana pode ser resumido em dois movimentos simultâneos:

  • A Corte Constitucional analisa se a lei é válida

  • A Corte de Cassação define como ela será aplicada

Isso significa que o direito à cidadania italiana não foi simplesmente encerrado.

👉 Ele está sendo interpretado

Mais do que nunca, o momento exige estratégia

A cidadania italiana por descendência continua sendo um direito reconhecido pelo ordenamento jurídico italiano.

No entanto, o contexto atual exige uma abordagem mais técnica e estratégica.

Não se trata mais apenas de reunir documentos.

Trata-se de compreender:

  • o cenário jurídico

  • as interpretações dos tribunais

  • e as particularidades de cada caso

Em um momento de transformação, informação qualificada e análise individual fazem toda a diferença.